Violada pelo próprio tio
Diana Afonso Kumaio de 18 anos de
idade, desabafou a UNDE ter sido vítima de uma violação sexual protagonizada
pelo seu próprio tio, irmão legítimo do pai. Este é um pesadelo que viveu com
ela desde os seus 13 anos de idade, altura da ocorrência do facto.
Diana
estudante da 12ªclasse, residente do bairro da Mafalala nos arredores da cidade
de Maputo, é filha única, cresceu sozinha sem companhia das outras crianças
dentro de casa. Durante o crescimento a vida dela era só acordar ir a escola e
voltar ficar em casa, fazer deveres de casa e brincar na companhia da empregada
enquanto os pais trabalhavam.
Passado vários
anos, o pai chamou o irmão dele mais novo da província para viver junto com
eles em Maputo, uma vez que, este já tinha concluído a 12ªclasse mas não tinha
conseguido entrar na faculdade e nem tinha emprego e em Maputo teria
oportunidade para arranjar emprego. Então foram vivendo com ele até que
dispensaram a empregada alegando que não havia necessidade de ter empregada, na
medida em que o tio da Diana ainda não tinha conseguido emprego, poderia muito
bem tomar conta da menina enquanto eles, os pais, estivessem no local de
trabalho.
Nessa altura, Diana tinha 13 anos e
quando os pais fossem trabalhar, o tio ficava a dar banho, comida, ia a buscar
na escola e muito mais. Nos primeiros dias cuidava muito bem dela e foi tudo
bonito, até que chegou um dia que quando o tio foi a buscar na escola, chegou a
casa serviu-a comida, comprou sorvete e muitos doces, fez algumas carícias e
depois disso chamou-a para brincar no quarto em cima da cama. “Me chamou para o
quarto e disse que queria me ensinar coisas muito bonitas”, disse Diana. E
depois disse que não podia contar a ninguém porque se não ele iria ser mandado
embora da casa, e que ela ficaria sem o tio para a comprar sorvete e brincar.
Então ela jurou não contar a ninguém tudo o que iria acontecer alí. O tio
mandou a sobrinha tirar a roupa interior(a calcinha) e depois a deitou na cama
e posteriormente a violou. Depois do tio estuprar levou a sobrinha para o banho
e pediu para que nunca contasse a ninguém tudo o que tinha acontecido, dizendo
que se os pais souberem iriam a matar. Diana ficou assustada e preferiu não
contar a ninguém.
O tempo foi passando e ela foi
crescendo mas sem se esquecer do sucedido. Enquanto crescia ganhava mais
consciência sobre o assunto e constituia um grande pesadelo e dores no seu
coração.
Já aos seus 18 anos, alguns dias depois
de ter acompanhado uma palestra com o tema “Violência sexual e seus riscos”,
promovida pela UNDE na sua escola, Diana foi para o escritório da mesma, no
Gabinete de Apoio Estudantil (GAE), onde contou pela primeira vez esse episódio
que a sufocou durante cinco anos, pedindo apoio.
Durante o desabafo, Diana disse estar a
sofrer com isso tudo a cinco anos, mas nunca teve a coragem de contar os pais.
Conta que o tal tio estuprador agora
esta a trabalhar, tem a sua família, e quando se encontram em convívios
familiares ele finge que nunca aconteceu nada ou seja ele acha que Diana já
esqueceu tudo, não se lembra de nada.
Ela diz que se sente mal as vezes quando está numa conversa com as
colegas e amigas e contam das suas primeiras vezes que conheceram os seus
namorados se doeu ou não, se foi com o namorado amado com quantos anos, isso
tudo lhe deixa muito nervosa e o pior é que ela nem pode compartilhar a dor
dela com colegas, porque só de imaginar que foi desvirginada pelo próprio tio,
dentro da casa dos seus próprios pais e depois deixou isso impune, fica
transtornada. Para os devidos efeitos, a UNDE está a fazer um acompanhamento
desta situação.

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