Denunciem os nomes dos professores corruptos
A directora da Escola Comunitária
Santa Ana da Munhuana Maria Julieta Língua diz que as denuncias feitas pelos
estudantes a UNDE contra os professores que vendem testes resolvidos nos exames
e dos actos de corrupção são falsas porque carecem de provas por não constar os
nomes dos denunciantes e dos denunciados
Numa entrevista em Outubro ultimo, a
directora Maria Julieta Lingua disse no seu gabinete de trabalho que as
denuncias feitas por estudantes a UNDE segundo as quais alguns professores
vendem testes resolvidos nos exames e praticam actos de corrupção, são falsas,
porque carecem de provas, dos nomes dos denunciantes e dos denunciados. “ O que
nós queremos são os nomes, dos estudantes, dos professores e dados concretos”,
exigiu ela. No seu ponto de vista levanta a seguinte possibilidade, “se o
estudante não diz o nome, não é porque tem medo de manchar o seu nome ou porque
será conotado, é porque ele está a colaborar.” Se não colaborasse já teria
denunciado através das caixas de reclamações”, disse Maria Língua.
Os estudantes não fazem o uso
das caixas de reclamações, que serve de interlocutor entre estes e a direcção.
Esses casos deveriam ser canalizados nessas caixas. “ninguém já meteu queixa
sobre esses casos”, disse ela.
Sobre o Álcool
Maria Língua afirma que na sua escola
há estudantes que entram na sala com garrafinhas de tentação e outros tipos de
bebida na pasta. Não só, também tem se encontrado nas casas de banhos,
recipientes ou frascos vazios de bebidas depois de serem utilizados, “tomam e
deixam os recipientes nas casas de banhos”, disse ela. Ainda, no início deste
ano, registou-se um caso em flagrante onde dois estudantes foram encontrados
com pequenas garrafinhas e a cheirarem bebida. “Chamei os dois estudantes sentamos
e resolvemos no sentido de não voltar a fazerem de novo”, explicou ela.
Sobre as sanções tomadas, referenciou
que como a instituição é da tutela da Igreja, e alias, pela génese da criação
da escola, foi com o objectivo de acolher os deslocados de guerra, apoiar as
crianças que não encontravam lugar nas escolas públicas, crianças
desfavorecidas através dos padres da Congregação dos Sacramentos, coordenados
pelo padre Theobaldo Ewals e a Comunidade Paroquial, que projectaram dar um acolhimento
e educação as crianças, com particular atenção à rapariga. “O nosso objectivo
como escola comunitária não é castigar o estudante e nem mandar embora, mas
sim acolhê-lo e educâ-lo”, frisou Maria Língua.
Sobre as razões que leva os estudantes a
praticar esses actos, a directora culpa o ambiente a volta da escola, a
localização da própria escola, sabendo que esta ao redor do famoso “mercado
estrela” onde se vende muita bebida alcoólica. Também, especula a influência
dos pais e encarregados de educação ou da comunidade em geral que não se faz
sentir no processo de ensino. “Os próprios estudantes quando são perguntados
das razões de trazer bebida até na escola, dizem que os pais é que os mandam
comprar, para o seu consumo lá em casa”, disse Maria Língua.
No meio de tudo isso houve a necessidade de criar um grupo de estudantes
que faz a vistoria nos estudantes e nas casas de banho, no sentido de
desmanterar os estudantes praticantes desses actos. “Peço a comunidade ao redor
da escola a tomar conta disso e que trabalhe para que as gerações futuras não
passem por isso” apelou a directora Maria Julieta Lingua.
Sobre o comportamento sexual abusivo
“Aqui, há estudantes que aparecem com olhos bem
pintados, todas coloridas, batôm. Quantas vezes tenho as mandado tirar os
brincos, as sainhas que elas vestem? Assim, como é que não serão assediadas?
Não é porque agente não fala, mas é que elas provocam”, descarregou a Maria
Língua.
Sobre gravidez
Registou um caso, ainda no princípio deste ano, que
envolvia uma estudante da escola e um ex-estudante também desta escola. A
decisão da escola foi de transferir a estudante para o curso nocturno e o resto
deixou-se tudo ao critério da família.
Criação do nucleo
Foi criado por Timóteo Fernando activista da UNDE um núcleos que
funciona em dois turnos, de manhã e outro de tarde para representar a UNDE na
escola. São compostos por chefes e subchefes das turmas. Esse vai funcionar
como interlocutor entre a escola e a UNDE. No entanto, preparou se uma
formação em matéria de liderança e associativismo para os núcleos por forma a
desempenhar melhor as suas funções.

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